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sábado, 7 de janeiro de 2012

Brainstorm.



                                                                  Innocense by Rafal Olbinski

Vamos sorrir?

Sim! Nada de reclamações, traumas, regras e mente ditatorial. Agora é sensação de brisa leve, chuva de verão, entardecer com horizonte amplo rumo ao poente; quero a vida à toa, sem ninguém me dizer qual é a boa! É isso, ausência total de regras mas felicidade como compromisso!
Cafezinho e pão de queijo é o que há! Jamais se cale diante dos seus medos, a vida pode ser tudo e acabar deixando tudo o que você construiu para erguer os passos de alguém que surge...É assim! Alguns que chegam enquanto outros vão! A vida é fato, é ato, é o metrô lotado da existência em sua baldeação! 
Alguém já fez o caminho de Santiago? Quem quer um petit Gatêau com coca-cola neblinada? Salmão com wasabi e shoyu é o melhor!

Há chuva e nada de mal há nisso! Será verdade? Olhe pra fora, veja da janela se existe verdade na poesia, conteste seus dogmas...Talvez não esteja chovendo, mas e daí? Eu menti pra você? Tanto faz. Aprenda com as lições mais óbvias! Acaso está fora de moda, mas determinismo demais tira nossa habilidade de buscar sentido na liberdade! Sabe o que mais? Agora eu vou dizer que chove dentro de você e o que você vai fazer pra provar que é mentira? Isso, olhe pra dentro, desmistifique essa noção simplória de verdade externa que eu tento te impor. Chega de projeções e viva as películas em preto e branco. 

Na dúvida sobre o sentido da vida, pare, reflita, respire o mais rarefeito, escolha uma bicicleta vermelha de rodinhas brancas; há mais música para nossa história? Desejo ouvir até o adormecer! Alguém sonha comigo e vamos percorrer o deserto em busca de camelos? Sim! Água para os camelos e o friozinho da noite! Vamos sais na capa do jornal, somos agora cesurados e amanhã seremos motivo de glória popular. Gritaram nosso nome na feira, era nada! Esquecemos a sacola com as jujubas dos meninos!

Temos filhos? Não! mas crianças interiores habitam em nós, foi o que descobrimos a caminho de Dublin! Sim, sim! Surreal demais! Mas é o sentido do que há para ser sentido e nada mais é tão belo quanto o simples espargir de letras a formar palavras que se unem num amor sem regras, num atar sem pregas e fazem dos momentos mais inusitados uma das maiores expressões da verdade, da beleza e da sinceridade de nosso id. Ide, ide e pregai seus retalhos na parede a contemplar, porque olhar pra si é o que há! 

Assim seja!


R!

Raoni C.Costa                                                                                  Amado quarto, 7 de janeiro de 2012

domingo, 4 de dezembro de 2011

Simples Assim!






E no começo a vida era imensamente fácil, até dava vontade de dizer que Deus estava de férias e tinha se esquecido do mundo como sala de aula dos alunos rebeldes que insistem em não passar de ano. Por fim, parecia leve demais, bom demais, infante demais. E quem disse que a gnte não cresce mesmo às duras penas?Antigamente a vida era outra coisa; agora tudo ficou sério e passa mais rápido do que eu gostaria. Sabe que às  vezes até demora demais?!Longos anos, longas tarefas... Curto tempo e mínimas expectativas. Antigamente eu queria viver por 100 anos, e agora a sombra de mais 30 (com boa vontade e na esperança de nem ser tão horrível o final da velhice que rima com hospital e sandice) já me cansa só em pensar. Dá desânimo olhar pra frente. É impensável e seria imprudente resolver olhar para trás com arrependimento, porque me arrependeria de tantas atitudes, de tanto silêncio mal resolvido... A sabedoria do tempo é um imperativo, é o que nos resta como fonte última das vaidades, do reconhecimento. Onde estive nos últimos decênios? Para onde irá o pensamento nos próximos? Perderei meus dentes? Melhor assim! O final é onipotente! Quem te priva de comer, beber, falar mal, dizer tudo o que pensa, incluindo os piores palavrões (li que atraem vibrações negativas, como li, também, que catarse explosiva inibe somatização de carcinomas) e ainda olhar com gosto para as coisas lindas que vão sendo criadas ao passar das eras? Ninguém! Assim era no começo, quando era criança e o shampoo ardia meus olhos; depois, o jeito simples de chamar por meus pais, e agora, com tantos ensinamentos e tão pouco tempo para aprender... É chegado o momento. Saudades existem para quem deixa mais no mundo do que leva em si mesmo, não é? Ninguém te disse que ao morrermos conquistamos o tão falado amor próprio? Ora! Qual seria a outra razão sensata e justa para que ninguém voltasse só pra dar um oi àqueles que tanto choraram, como as tormentosas chuvas de verão e...Tempos depois passaram a viver suas próprias vidas? Não há nada de errado nisso, como não há erro em deixar de lado tanto sentido. Gente velha precisa de sentido, gente mais velha ainda só precisa ser sentida e a gentinha que começa a engatinhar, do que precisa? Sorvete, tardes sem fim, primaveras e muitas, muitas férias além dos recreios, das festas e surpresas noturnas de pais culpados que insistem em mimar seus filhos frágeis para protegê-los do mundo severo.
Sim! Antigamente a vida era simples pra todo mundo, só era pior para quem já começou pelo fim! Nunca conheceu pessoas que já nasceram sofrendo, sem Danoninho, geleia de mocotó, carrinho elétrico e roupas de todas as cores? Minha massinha era perfumada, eu gostava de comer borracha, a chuva era sempre uma tormenta (não tanto pra mim quanto para os vizinhos de bairro, que tinham lixeiras-monstro derrubadas e poças de lama-cenários de guerra explodindo diante de seus portões); eu gostava do meu sapatinho preto com uniforme de militar mauricinho de gola! Sabe o que mais? Sinto saudades dos meus dois grandes amigos, meus dois grandes Gugu e Barney; sinto também que o tempo passou e nada foi bem como eu pensava, mas quem disse que eu tinha um barco conduzido por mim mesmo, traçando pequenas brumas e seguindo um norte inquestionavelmente definido? Ora! Sabe do que me lembro? Meu quarto era uma graça, todo acarpetado, com livros coloridos, capas em relevo, bichinhos, cama de madeira leve, travesseiro pra afundar a cara e me esconder do tal monstro que apareceria, se eu apagasse a luz, é certo! Estranho hoje eu pensar na ideia de dormir com a luz acesa. Lembrei até de um ursinho todo rasgado. Seria ele meu “Rosebud”? Jovem que lia Humberto de Campos aos 15; ouvia Nelson Gonçalves aos 16 e compreendia melhor Chopin ao escrever sonetos e choramingar no poente dominical por temer o lago que arde como fogo e enxofre e é a segunda morte. Meus grandes traumas não vieram de fora, meus grandes anseios eram a Academia Brasileira de Letras, ter uma namorada só minha pra fazer tudo o que via nas madrugadas do cine privé e, acreditem: ser um diplomata-poeta, como o fora o inigualável Poetinha!
Bons tempos de olhar nossos pais como eternos, sabedores de tudo, oráculos seculares; nossos avós como já tendo nascido daquele jeito, com rugas, modos lentos e setenta anos cada. A fragilidade é quase um castigo para quem se depara com o verbo crescer. Conjugue-o ou ele te devora!

É tudo o que tenho por hoje, o que me basta por cada dia!


Raoni C.Costa

Entrevista com o Poeta.


Obra: O Poeta Pobre (Carl Spitzweg)


Poeta, onde tu vives? Vivo na transição de um sistema confuso, entre a terceira nebulosa e o quadrante superior do espelho metafísico da região silenciosa. Habita em mim um caos e reluz a calmaria, pois nascido em berço esplêndido, sofrendo agruras, crescendo, na dor do parto do amadurecer, antes fora Maria, depois Ana, depois... Ora! Tanta nostalgia!
Estou cansado, cansado do mundo e de mim mesmo. Olhar no espelho é perceber o estranho que sempre me serviu de abrigo; medos? Tenho-os todos, mas a coragem é espasmódica, vindo em surtos, como vêm os amores brutos. Quem sou eu, poeta, pergunto a mim; quem és tu, profeta, que te calas ao nascer da consciência e nos julga ao prenunciar do fim? Sejamos fé, tão pouco a ira nos seja tão persistente. Antigamente eu era qualquer um, algum José; hoje nenhum florim, xelim, ou mesmo valor qualquer! Sou o poeta das duas faces, das mil facetas, dos tamborins (ou tamboretes?) ao pé do sofá, como criança a comer jujuba antes mesmo de almoçar. Esse sou eu, em nada sendo. E você, quem é? Um nome, um encargo, ou vosso título, ou até mesmo o tal gordo, o magro, o irritadinho... Até o gago!?Quem somos, se nada podemos mudar e ainda sequer descobrimos quem havemos de ser? Prefiro a poesia da transição, do equilíbrio das profusões. Pretendo expor Dali a Parnaso sem qualquer dissensão.
Meu mundo nunca se traduziu em resposta, entretanto nunca busquei formular as perguntas certas. Meu papel é deixar as cores misturadas, formando desenhos em aquarelas alheias; sou mesquinho, pequeno e ranzinza, mas não me esqueço de dar ao imenso verso o meu pequeno mundo, e nesse mundo o ‘eu’ disperso de cada um que lê, certamente, em meio ao indignar da crítica, reconhece um pouco do melhor de si em meu imenso mar de sentidos, de céu, de inferno, de ar e areia. Desse modo podem até me esquecer, mas lembrando de si mesmos e mesmo me odiando, por verem em mim o reflexo de vosso ser, certamente dói mais em nós o crescer do que em mim, pessoalmente, a tristeza de ver em minha poesia as verdades escondidas do seu desprazer. Entretanto é como sempre tem sido: em cada pouco um pouco mais belo, em cada elo um desatar de lágrimas e medos sem fim. O sentido poético é antítese, é provar o patético sobre forma adornada, dizendo do fim por inigualável parábola; mostrando a beleza da alma na forma e a escuridão essencial que habita o conteúdo; é, por vezes, fazer-se tolo, é, em outras conclamar a todos sua presença em festa e, num instante mudo, cadenciar sutilmente a inexistência do bolo. Eis o que há de melhor e pior em nós! Eis o que há para dizer ao fim do rodapé, sendo o pouco que temos, só para começar.
Hoje minha pretensão é só não ter pretensão. Hoje só quero viver tudo o que gostaria de ter vivido ao olhar para trás, quando sutilmente chegar o amanhã!
Plenitude, silêncio e completude!        


Raoni C.Costa                                                                                                  N.I. 4/12/11

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Dilema das Promessas de Amor à Luz do Direito e a Balança da Justiça







Eu hoje pensei: Que grande sacanagem a pessoa que eu pensava ser o amor da minha vida, a menina do porta-retratos que os netos veriam, a certeza de acordar com um sorriso e um modo delicado, carinhoso e único...Que grande sacanagem ela dizer que ficaria comigo pra sempre.Deveria ser ilegal essa construção frasal!
Bom!Eu repensei minha lógica à luz das relações civis e compreendo que no contrato a exegese, a hermenêutica, a natureza normogenética conduzem a dois pontos de vista, a saber:

Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.

Isso a isenta de responsabilidade, dadas as dificuldades do caso concreto.

Agora, inegável é que:

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

De tal forma, isso a vincula aos postulados constitucionais, como vetores axiológicos de uma relação que tendia a exigir, tão somente, a cláusula geral de tutela da pessoa humana, ou seja, a dignidade do mínimo existencial, o direito à busca da felicidade consubstanciada no núcleo social mínimo, amparada pela perene necessidade de amor, paz e completude.

Melhor seria a interdição deste pródigo emocional, que dilapidou seu patrimônio de crenças e agora adota a Teoria da Penetração: Desconsidera personalidade e incide sobre o patrimônio.

Melhor ainda seria focar na pessoa certa e, por isso mesmo, chegar à conclusão de que: Investir na pessoa certa é buscar o amor em si mesmo, e não mais no outro. Mude, mas jamais o outro!


Ecce Opus!


Raoni C.Costa 

Saber, ou não saber?Ambos!Sublimar é a resposta!




O que saber agora?De que adianta saber alguma coisa, se o conhecimento de três décadas somado a tantos milênios ainda me faz cair nos mesmos calabouços, tropeçar nos mesmos versos fugidios e cansados da vida a dois? Quisera eu saber tão pouco, talvez assim o zero somasse à direita do amor e não à esquerda da razão!
Agora todos os medos de consomem e sorriem à distância, restando tão somente a solidão!Sim!Por cada vontade de razão, sentimento de verdade ou sensação de coragem desapegada rumo ao nosso fim; por tudo isso tomamos coragem, em nome dos nossos egos, ciúmes e possessões e deixamos o mundo nosso, o imperfeito e divergente mundo nosso de cada dia...Para trás!Agora o medo é moda, a roda toda se abeira aos vestígios do amor que foi, da mágoa que surgiu, dos montes de promessas, palavras e atitudes desconexas de quem vive na paixão. Sim!Agora conseguimos ser paradoxais e o pra sempre mudou, agora é nunca mais!Porcaria!Por que fomos amar tanto e fazer tão pouco, deixar planos de lado e entregar nas mãos alheias nosso maior presente?Quanta incongruência!
O mundo nunca é o mesmo do dia anterior e parece corriqueiro andar por ruas habituais, sentir aromas eventuais e persistir, estático, no universo do meu pensamento, a procurar a imagem que falta do quadro comum de nossas vidas: Você! 
Não!Aqui o discurso deve ser diferente, porque ninguém quer ler o amor alheio, mormente o que se foi sem saber-se certo, concreto e legítimo. Ora!O que buscam os leitores além de lamúrias com temperado sarcasmo?Desgraça alheia é alimento desde Schopenhauer. Dizer a verdade que pode habitar no outro, sem censura, sem postura, com estilo ou bela moldura, sim, corresponde ao anseio geral. Todo mundo é um pouco curioso, só alguns são totalmente!É preciso ver no outro um tantinho de simplicidade e mesmice, mesmo buscando na mesmice a criatividade que torna a história de cada um, mesmo tendo o mesmo enredo, um algo diferente a ponto de fazer a multidão sorrir, chorar, pensar...E tudo com base no mesmo início, no mesmo fim!Eterno amor, eternas juras, mas, para quem tem tudo isso, ora, desnecessário e pobre é jurar.Eternidade?Se viveremos mesmo pra sempre, menor ainda a necessidade de projetar o óbvio perene.E se não existir o tal eterno?Tanto faz!Já nos jogamos pela estrada bem antes do meio do caminho...E nada de encontrarmos um tal caminho do meio.
Vou caminhar pelo jardim de heras, encontrar as ninfas a questionarem sob o umbral dos tempos:
O que o traz aqui?Qual o seu real desejo?
Enfim, direi: Aqui?A louca ideia de conhecer pessoas interessantes, aprender coisas novas, encontrar valor em pequenos gestos, diálogos sinceros, completa sinceridade entre perfeitos estranhos...Não busco mais um grande amor, muito menos sexo; talvez esquecer o mundo daqui e simplesmente observar o mundo que talvez exista aí!

Está consumado, nobres leitores.Êxito em poucos verbetes!

Raoni C.Costa

domingo, 23 de outubro de 2011

Sugestões para mim mesmo!








Acima de tudo, um sonhador com pés descalços.É o momento de construirmos com firmeza uma sociedade verdadeiramente envolta em valores sociais e humanos, como trabalho digno, liberdade consciente,cidadania e exercício regular de direitos e deveres.Acredito no potencial humano, e no trabalho realizado em conjunto.Trabalho,Justiça e Valor.Exercícios diários e imprescindíveis aos pretensos agentes políticos e sociais do tempo que surge, deficiente em suporte familiar,humanitário,social e mesmo pessoal.Falta a nós, jovens, um pouco da sabedoria deixada pra trás não mais como relíquia, mas como artigo esgotado e obsoleto nas prateleiras da vida.E vejo nisso um resgate do respeito merecidamente devido aos nossos velhos.Falta a nós, velhos descrentes do idealismo de realização, de ação, de formação moral, a consciência caridosa em relação ao jovem deixado pra trás no percurso da vida adulta.Falta a nós a maturidade aliada à pureza de sentidos e sonhos daqueles que serão os mentores de nosso cenário vindouro.É preciso e premente resgatar a vivacidade, a alegria e a singularidade dos jovens, e ninguém está velho demais pra isso.
Filhos e filhas da Nação Brasil, orgulho e lágrimas são componentes de um povo que busca vitórias.Sabedoria e busca dos meios pacíficos de composição dos conflitos são mecanismos de fomento à concretização de ideais maiores, em nome de uma democracia revivida em esplendorosa justiça, em verdadeira paz, em concreto sentido de realização.
Caminhemos, com disciplina,honra e força, trazendo nas mãos, em cada uma delas, as insígnias da vitória, por sabermos que, de um lado insurge a justa concepção do Direito, como a arte do bom e do justo, e do outro a Política, filha da moral e da razão.Assim surgiram grandes nações, assim seguiremos fortes em conquistas,ordem e progresso, à cidade e ao mundo.Assim seja,para todo o sempre!

Raoni C. Costa.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Unsorted Thoughts!Algo assim, sem mais, sem menos, tão comum a todos nós!



Achei essa mensagem convidativa, mas nada combinando com meu dia.Aqui dentro  habita a tempestade, mas ela começa a ceder diante dos raios de sol dessa tarde linda! Por óbvio ela transmite uma certa lamentação, mas também a força necessária diante das vicissitudes 'hebdomadárias'!A quem me refiro?Tanto faz!À tarde, à frase...A verdade é que o mundo realmente é um construção, um modo de olhar, uma percepção interior que se projeta mutatis mutantis, no multiverso de nossa pequena fábrica de novidades fundamentais de cada dia!  
        Independência ou morte?Liberdade ainda que tardia?

Nada melhor do que não fazer nada...Mas a negação da negação é uma afirmação.Cabe matemática na vida?Em qual parte dela não caberia?Sei lá!Tudo é assim, de um jeito estranho, por vezes difícil, em outras surge como que ridiculamente simplório. Mendigos nada fazem,e deve ser difícil fazer nada!Alguns pensam ser mera conveniência e oportunidade, como um ato discricionário do livre arbítrio concedido ao homem-servidor pelo Deus-Estado.
Meditar é silenciar a mente e viver é se sentir completo. O conteúdo e o continente, o homem em estado meditativo que se aprofunda em sua riqueza; ficar rico para doar tudo e ser feliz; ser feliz com o que se tem, mas não valendo essa regra para a pobreza. Mesquinho não divide, mas quem divide pobreza é cruel!Mundo confuso, mundo obtuso, mundo perfeito, porque não tem fim, mas tem morte, embora tenha rima que a mim importe: rima com defeito!É rarefeito o entendimento acerca de minha sorte!
Vamos falar do que importa, do meu dia simples de um jovem complicado: Café!Arábica do Paraguai, com deliciosos pães-de-queijo!Sobrecarga de canela, isso é bem verdade.Alguém precisa avisar ao povo sobre isso!Equilíbrio é o segredo não só da vida, mas também do paladar da existência! O ponto alto fora o aroma perfeito do café no fim da tarde, mas não posso deixar de reconhecer a maravilha e o poder de um macarrão com camarão, mariscos, alcaparras, queijo e...Azeite?Croutons...Gorgonzola!!!"God Save the Brie"!
Por favor, mon petit, descole um nome charmoso e criativo para o bendito bolo de aipim coberto com leite condensado, ele merece! A casa agradece uma água com gás logo após, certamente!É o refino do requinte domiciliar a curto prazo, eu afirmo, senhores!
Algo mais?Sim! A facilidade graciosa de aproveitar os melhores momentos da vida de um filho único criado a danoninho e geleia de mocotó Colombo, que tem por longo hábito a leitura instrutiva de banheiro!Hoje eu posso ler o mundo em poucos atos, e ouvindo Ella Fitzgerald cantando Jobim, ou mesmo Adele; estudando direito empresarial ou encontrando um dos difíceis erros do jogo dos sete erros da coquetel. Gosto disso!Entendo até os progressos, da futilidade do Tablet, à inovação do bidê de mão; os sabonetes esfoliantes, as mulheres machistas com seus amantes...Mas sinto falta do meu passado mais preto e branco e menos colorido.E sem essa de preconceito, porque estou na pior classe, a classe dos 'sem lei que os ampare'.Vivo entre os extremos, sou bipolar por aculturação, a saber:
Remanesço da década perdida, não consegui viver os anos dourados, nem aproveitei as facilidades da era digital quando jovem; hoje não me enquadro nos perfil, sou velho demais para ser novo, sou novo demais para ser velho; minha deficiência virou moda e minha moda é somatizar a Síndrome de Davi, embora adore Caravaggio. No meu tempo as mulheres só conspiravam, no passado mais remoto só teorizavam em devaneios literários e agora, quando da modernidade, eu estou perdido, mas tudo bem!Elas também estão!Continuam sem ser entendidas...Há homens mais femininos, há meninas que preferem meninas e ainda persiste o 'machismo' do homem que paga a conta(dispenso e critico: Ou assumem a modernidade por completo, ou sem isso de retroatividade benéfica, com reformatio in pejus para nós, os sem direito!), em meio ao confuso mundo dos papéis invertidos, dos excessos legislativos, os recessos e paliativos e da pouca margem aos preservativos...Eu, expatriado dos mimos maternos e rabugento,  ainda chego ao fim desse texto entendendo por que pedimos liberdade e independência, pra depois reclamarmos da prisão interior, da solidão e da carência. E sem essa do Caminho de Santiago, porque eu vou mesmo é descobrir tudo isso a caminho do Raoni que há em mim!
E tudo isso porque disseram que era preciso pensar muito; depois, que melhor seria pensar de menos e observar de forma consciente; daí, meditar era adquirir sabedoria e só estudar era sinal de ensandecimento; nada fazer sendo rico era profundo, fazer nada sendo pobre era absurdo; trabalhar ao extremo era remédio para a depressão e a cura dos males era parar, dar um tempo e olhar pro próprio mundo. E isso não seria egoísmo?Sei lá!Desabafo, retenção, adotar a filosofia do surdo-mudo ou treinar catarse contra a somatização do carcinoma?Sei menos ainda! Só sei mesmo é que quem muito filosofa pouco pratica e quem muito arrisca, seguindo quase nada à risca, está mais 'pra inconsequente, impulsivo ou coisa que assim se defina. Assim é que a vida passa, segue o relógio o dia inteiro, entre o salmão, o estreito beco, o saudosismo, a crise existencial, a saudade do que nunca vivi, uma imagem de normalista menina que cresce messalina, o casuísmo da religião, o carma da ilusão, a dosagem homeopática da alegria, a sobrecarga exegética acerca da melancolia e a lição final do agnus dei: Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei!


R!