Eles costumam chamar de impossível aquilo que nunca viram alguém fazer antes...
- Eu fui antecedido em meus planos ao adentrar a terra. Tive por castigo antepassado uma sina que considero complexa: Eu busco a mulher ideal!Observe bem que não disse buscar, em momento algum, a mulher perfeita. Mesmo por quê, a mulher perfeita é a que se mostra ideal, e colocando em termos gerais, a perfeição me sairia a descontento, já que estou bem distante do mérito da perfeição.
Meus confrades percebem na minha parca definição de mulher ideal um raro caso de machismo radicalizado em aspirações impossíveis, deméritas, ou inalcançáveis embora gratificantes (E dessa forma mais parecem machistas que eu).
Ora, que absurdo!Nunca deixei claro que a única virtude de uma mulher fora trazer à luz este que vos escreve pensamentos tolos e meditações vãs.
Eu que só queria um amor de filmes piegas, de romances armados nos quais o final é sempre eterno, bom e previsível; e eu que só me deparei com erros e tropeços já tão crassos, já tão combalidos na esfera da mediocridade criativa do comportamento masculino. Meu Deus! Eu entrei no rol do senso comum!
Senso de justiça me ocorre agora, porque os mocinhos de filmes eram quase sempre românticos, atenciosos, dedicados e abnegados em seus amores platônicos. Eu já faço a linha velho oeste. Não seria piegas em dizer que os brutos também amam, pois reconheço a sensibilidade de minha alma, de meu sentimento quase tremulante...
Sou chato, disso tenho razoável compreensão. Mas sabem que não me incomoda a aceitação dessa alcunha insigne?Sou admirável e carismático do meu jeito.Claro!Pretendo mudar, mas não por um amor eterno que se acaba em anos nos braços de um outro qualquer, gatuno da vida, que retirou de mim o 3X4 do meu álbum de retalhos emocionais.
Não era esse o meu plano de vida, mas todo mundo precisa de seus castigos, suas provas, seus espelhos morais e desafios. Aquele que não tem frustrações que morra agora ou sorria para sempre.Só fui mais uma vítima dos fatos, dos sonhos e das criações: Mentais,de infância,de mercado,etc.
Vou processar Hollywood por ter criado um mundo do qual me apoderei em mente e coração, só por esse mundo ser uma mentira perfeitamente agradável que convence a todos os neófitos do amor?Mais fácil culpar meus pais, que em vez de me proibirem os filmes educativos de nível superior (adultos, eróticos,pornográficos, que seja!), deveriam é ter vedado expressamente essa balbúrdia emocional que causa na mente de uma pobre criança a doce ilusão do amor perfeito, e de que tudo ao final acaba bem. Mas não, eles precisavam mentir pra não me chocar, não transgredir as normas, não causar perversões ou constrangimentos sociais desnecessários por excesso de informação e maturidade do filho pródigo. Era preciso acreditar em cegonhas que nunca existiram, em casamentos que nunca deram certo, em sorrisos eternos que nunca permaneceram, e tantas outras ideações surreais do imaginário dos antigos, tradicionalistas e saudosos.
Sexo mesmo só escondido, errado, pecaminoso. Mas foi assim que nasci, e é assim que pretendo enxergar o caminho pelo qual trarei meu filho ao mundo real. Pensando melhor, talvez eu use essa falha humana, anatômica e biologicamente sustentável, pra dizer a ele que realmente já nasceu do pecado, em pecado, para o pecado. Minha culpa,minha máxima culpa!
Quero colo, mas não vou fugir de casa, nem pretendo dormir em albergues, principalmente tendo deixado num passado anuviado a juventude que não me pertencia ( se minha fosse, ainda estaria em meu poder).Lógica triste e temerária do homem cheio de si e vazio dos outros. Um dia ele acaba é de saco cheio de si, em vez de inebriar-se de egolatria. Criemos a egolatrina.
Quero uma “mãemorada”(nada de incesto,insisto). Já ouviram esse (pretenso) adjetivo, que pretendo substantivar?Eu creio e preciso do impossível, e da graça divina pra concessões imerecidas. Eu quero e preciso da mulher amada, da mulher Amélia, da saudade encantada das ninfas de fato, e de direito. Quero muito mais que pensar,desejar, ou pedir aos céus uma simples companheira, uma doce e discreta aventureira, uma razão pra acordar ao lado e sorrir ao alto. Quero uma mulher saudável,mas que aprecie as boas porcarias nos momentos certos. Quero uma mulher forte, mas que sua força seja delicada e bem direcionada contra os outros, não mais contra mim. Quero a inteligência que não seja tamanha a ponto de fazê-la perceber que inteligente mesmo é sair de perto de mim. Quero sim a abnegada que encare o desafio de me fazer mais gente, de misturar meus ânimos, manias, sistemas e não explodir tudo com erros nos reagentes. Quero a boa de cama,mesa e banho (pode ser aos sábados, desde que não comprometa a pureza do olor labial inferior).
Pro inferno com as perfeitinhas, eu quero é a realidade do meu mundo, muito mais nobre em seus princípios. Chegando a hora de prestar contas ao sono eterno, ou mesmo ao purgatório, que mais valha a solidão dos comedidos ante a desilusão dos moderninhos de meia boca. Quem disse que meu desejo é sua perfeição?Bastar-me-ia um mísero átimo de personalismo que exalo em silêncio diante da idiotia conjuntural de meu século. Sou boçal, antiquado e empedernido, mas hipocrisia, devassidão e sonsice não perfazem meu perfil de amor-perfeito, muito menos as metades caras da nova geração, vendendo sonhos de serem o país das maravilhas, sem serem sequer Alice!
Permanecendo no melhor dos meus dias, atravessando as fronteiras malditas do pensamento, vou findando textos que só ensejam um início, vou sobrevivendo em meio ao interstício do viver...Como se fora prólogo, monólogo de um texto infindo que mal comecei a escrever. Esse é o melhor orquidário do meu jardim, perfazendo o antes, o depois, o agora e jamais o óbvio; não mais o fim que almejo, mas tão só o fim que vejo e prescrevo neste exato ínterim.
Satisfatoriamente inconcluso nos autos da vida profana, prossigo a história no próximo ato.
Fraternos Abraços,
R!

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