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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A difícil arte de ser um idiota perfeito



A primeira lição: Olhe no espelho,bem no fundo,encare seu reflexo.Sim!Vai doer!Sabe o que mais?Ser idiota é a moda mais cretina, é o vestido de noiva do dia mais especial de sua vida,mas é alugado, é simplesmente um repertório comum com uma vigência tão real quanto a suposta eternidade do amor que prometemos um ao outro.É isso aí, somos politizados em nossos enlaces matrimoniais.Claro que há exceções,mas não vivo de modo cortês a me contentar com aquilo que pressuponho irreal,mas desejo intensamente no mais fundo de mim: Amores eternos, que não sejam declináveis.
Desde que inventaram as explicações, os motivos, as justificativas infindas, e o egoísmo, nenhum casal atingiu anos dourados distante da dogmática insígnia do Falcão Inconsolável: Duas coisas sustentam o casamento hoje em dia: A igreja e o adultério!
Verdade ou mito, a igreja já não produz mais santos como antigamente, e nunca houve tantas almas perdidas a caminho do paraíso inominado.Melhor que isso é percebermos as infindáveis promessas de amor, de casamento, de filhos e familia feliz.Já não vislumbro essa imagem nem mesmo em comerciais de margarina, ou  creme dental.Agora a onda é de cevada, e a saúde ideal deixou de lado o tanquinho de lavar roupa em nome do sex appeal dos novos obesos...E o que isso tem a ver com a idiotice?
Nada!Eu só queria deixar de lado tudo o que deveria dizer como abre-alas do meu discurso sobre a idiotia saudável e a idiotice contestável em sua origem e em seus fins.
Sorria,você está sendo observado!A ideia é perfeita: Pensar o menos possível, compreender o máximo, ser quase incrível.Mestres orientais diziam isso, e agora muito se tem estudado em nome da contestação desse fogo-fátuo que é nosso imenso saber racional.Sim, senhores, precisamos pensar menos em tudo o que é desnecessário, e assim sendo,nos tornaremos idiotas, mas idiotas saudáveis,e até idiotas felizes...Não seria ótimo?Ah!Está pensando sobre...O teste obteve êxito.Mais um contestador que prefere a razão sobre os fatos à felicidade sobre os sentidos reais de sua existência.Mais um deixado pra trás a mergulhar da imensa ilha de amarguras e certezas inúteis.Mais um perdido que de tanto buscar porquês viveu a vida inteira dizendo: E agora?Vou comer lentamente meu conhecimento insuportável, ou deveria simplesmente me sustentar de respostas pessoais diante da vida quase efêmera e abjeta que vou projetando em meu redor?
Como disse Andrew Wiles, acho que vou parar por aqui...Meu silêncio deve ser mais útil e expressivo que esse volumoso frêmito de estandartes da vaidade, da ânsia e da inquietude de meu coração desapegado ao bem-estar, mas condicionado à saudade eventual de uma certa paixão que não se apaga.Certo estava o poeta, ao dizer que a maior ilusão é fugir do passado buscando no futuro a sua imagem a todo instante...Não era exatamente isso, mas preciso impor minha insígnia e me sentir um pouco mais perto dos que se foram, e por isso titubeio em relação ao dito textual de Mário Quintana, pra ludibriar a mente e transformar em eufemismos herméticos a verdade mais simples e tola que um homem como eu poderia dizer em apenas algumas palavras...Mas isso seria um insulto ao meu zelo e uma inverídica forma de tornar minha história pérfida, simplória e pouco interessante num imenso mar de alegrias, mesmo tendo por fundo a escuridão gélida de uma região abissal, que é meu coração pensante e quase errante em suas razões ignóbeis.
Agora eu já sei da onda que se ergueu no mar...E sei por que você se foi, mas não deixarei de ouvir meu nome, tampouco a saudade será extinta, só que a vida será leve, razoável e verdadeira, com dor ou medo, alegrias ou lágrimas, eu terei em mim a infinita e cômoda certeza de um dia te re-encontar em meio a minha paz interior, talvez pelo nome de Amor,quiçá de Paz,ou por sorte Plenitude!Sempre esteve aqui, nunca do outro lado, mas os maiores abismos estão nos mais próximos olhares!É esse o verdadeiro segredo do idiota feliz que ri das próprias tristezas, ao contrário do idiota que eu fora, percorrendo a estrada das tristezas na velocidade eufórica de minhas lágrimas pesadas, tão pesadas quanto a minha alma em fuga, correndo da felicidade e indo ao encontro do fim...Fim!

My beloved bedroom, wednesday, february,10, 2010

R!


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